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terça-feira, 14 de abril de 2015

Portugueses estão mais exigentes na escolha de casa.



 
Quase todas as pessoas conseguiam obter um crédito à habitação e não foi difícil vender tudo o que havia para vender em matéria de casas. Nunca o mercado imobiliário tinha vivido momentos de glória como nas duas últimas décadas do século XX e na primeira do que atravessamos agora.

Com a chegada da crise, grande parte desses potenciais proprietários deixaram de conseguir pagar os empréstimos e os bancos ficam 'atolados' com casas vazias. As vendas caíram a pique, a procura diminuiu, a oferta cresceu e fecharam-se as 'torneiras' do crédito à habitação.

Depois de um longo período de desânimo em todo o mercado, a esperança renasceu no final de 2014. As vendas começaram a subir e os bancos dão sinais de apostarem novamente no crédito à habitação. Mesmo que as garantias e o cálculo de risco sejam mais apertados, as instituições bancárias voltaram a um dos seus principais focos de negócio.

Mais cuidado na escolha

Mas qual o perfil actual dos novos proprietários portugueses? O casal António e Maria Faria, com dois filhos, depois de já terem necessidade há algum tempo de uma casa maior, esperaram uns anos. «Com a conjuntura desfavorável para a compra de uma nova habitação, decidimos aguardar, porque as economias não eram muitas e os bancos não estavam receptivos ao empréstimo, só com entradas de 50%, algo impossível para nós. O arrendamento estava fora de questão, queríamos trocar a nossa casa por uma maior e por isso não queríamos perder o que já tínhamos investido na que tínhamos», lembra o casal. Só agora a família Faria voltou à ideia procurar uma nova casa.

A principal preocupação é o local, depois a tipologia e as áreas, nunca esquecendo o preço que podem atingir. Estas são ainda, na verdade, as principais prioridades na escolha de uma casa. O que difere então no perfil dos actuais compradores? António e Maria respondem: o cuidado na escolha. «Antes, não fomos tão exigentes porque pensávamos que a casa que comprámos seria um investimento e que mais tarde poderíamos vender por um preço mais elevado e comprar outra melhor. Não pensámos que poderia ser uma âncora e que poderíamos ficar amarrados a ela durante tanto tempo. Hoje olhamos para uma casa que possa servir para a vida», explicam.

Localização e preço são essenciais para comprar

Actualmente a escolha é mais criteriosa. «Comprar uma casa é muitas vezes uma das decisões mais importantes que se tomam na vida, já que é um bem de valor elevado, que não se pode trocar todos os dias. As famílias procuram, sobretudo, cumprir um sonho de uma vida mais confortável», revela Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal. A responsável adianta ainda que a localização é um factor determinante na escolha de uma casa. As famílias portuguesas procuram muito nos locais onde já residem ou têm apoio familiar, de avós, por exemplo. Gostam de boas áreas, sobretudo na sala, mas também na cozinha. A procura pelos imóveis T3 continua a reunir a preferência.

Beatriz Rubio salienta que o valor da casa é essencial na opção da compra. «No entanto, tendo em conta que a maioria dos portugueses compra através de crédito bancário, o valor da prestação também é determinante quando se escolhe o imóvel», acrescenta.

Luís Lima, presidente da APEMIP - Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, também concorda que a localização e o preço são os factores que mais pesam na decisão. «O preço é determinante na escolha de um imóvel. Cabe ao cliente analisar as propostas que lhe são apresentadas e avaliar os diferentes factores que interferem no valor do mesmo. Por exemplo, um imóvel no centro da cidade será mais caro do que um da periferia. Cabe ao cliente verificar o que é para si um melhor investimento», esclarece.

O perfil de procura das famílias portuguesas é muito variável, na opinião de Luís Lima. Depende da composição do agregado familiar e da faixa etária, que influenciam muito a tipologia a procurar, e da disponibilidade financeira.

Eficiência energética ainda não é uma prioridade

Quanto à construção e à eficiência energética, ainda não estão dentro das principais preocupações dos compradores. Contudo, estes são mais exigentes e Beatriz Rubio garante que os portugueses estão melhor informados, pelo que quando visitam uma casa, querem informar-se sobre os materiais utilizados e a qualidade de construção, para não terem surpresas depois. «Relativamente à certificação energética, a preocupação prende-se mais com a exigência da nova legislação do que com as reais implicações da certificação», esclarece.

Para Luís Lima a qualidade da construção é efectivamente uma das questões dos clientes. Procuram um imóvel com bons acabamentos, bem construído e que possa durar o máximo de tempo sem obras ou intervenções. «Quanto à certificação energética, eu diria que nos últimos anos se tem notado uma preocupação crescente, se bem que não é ainda factor que pese muito», esclarece.

Já a opção do arrendamento, segundo os dois responsáveis raramente faz um cliente desistir da ideia de adquirir uma casa.
 
Fonte: Sol

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Chineses continuam a apostar no imobiliário em Portugal !


Portugal foi à China para mostrar o seu imobiliário. Apesar do escândalo ligado ao programa dos vistos Gold, uma comitiva portuguesa que se deslocou a Xangai - para participar no 13.º 'Overseas Property and Investment Immigration Show' - foi surpreendida pelo elevado interesse demonstrado pelos investidores chineses no imobiliário nacional.


“Os chineses continuam, sem grandes surpresas, a ocupar o topo da lista, o que acontece desde a criação deste programa"

A Fundação AIP, com o apoio da APEMIP - Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, organizou a missão onde estiveram integrados bancos como a Caixa Geral de Depósitos e o Millennium bcp, os empreendimentos Tróia Resort e Martinhal, e ainda empresas imobiliárias como a Century 21, Remax, RAR Imobiliária e Carpe Domus. Entre os participantes esteve também representada a Câmara Municipal de Águeda, com o seu presidente, Gil Nadais.

Escândalo dos vistos sem repercussões

Luís Lima, presidente da APEMIP confirma que se mantém o interesse dos cidadãos chineses no mercado imobiliário português. “Esta missão fez-nos confirmar que, ao contrário do que se disse, o escândalo da Operação Labirinto não teve repercussões no interesse dos cidadãos chineses pelo imobiliário português, pelo que as ilações que muitos tiraram foram precipitadas”, revelou.
Reconheceu que “poderá ter havido uma retracção, o que é natural tendo em conta o seu impacto mediático”, no entanto, “o decréscimo da procura prendeu-se essencialmente com o período em causa”.

O responsável adiantou ainda que quem trabalha com o mercado daquele país asiático sabe que nos meses que antecedem o ano novo chinês, neste caso Janeiro e Fevereiro, culturalmente os chineses evitam fazer negócios.

Atribuídos 2.088 vistos gold em Fevereiro

A comprovar este sucesso da comitiva portuguesa estão também os dados fornecidos pela APEMIP, que mostram que, até ao final de Fevereiro, foram concedidas 2.203 Autorizações de Residência para Investimento (ARI), das quais 2.088 entraram por via do requisito da aquisição de bens imóveis. Esta modalidade, que obriga ao investimento de um mínimo de 500 mil euros num imóvel, representa cerca de 95% do total dos vistos atribuídos.

Luís Lima não se revela surpreendido: “Os chineses continuam, sem grandes surpresas, a ocupar o topo da lista, o que acontece desde a criação deste programa. Já o Brasil passou a ocupar o segundo lugar, algo que eu já previa desde o ano passado, especialmente depois de uma missão que fiz a este país em que senti um interesse crescente pelo imobiliário português e pelos programas de captação de investimento que temos no país, tal como transmiti nesta mesma altura”.

O presidente da APEMIP antecipa ainda que, “daqui para a frente, o investimento brasileiro terá um crescimento acentuado”.

Fonte: Jornal SOL

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Compra e venda de imóveis ganhou terreno ao arrendamento em 2014.



O mercado de compra e venda de imóveis em Portugal aumentou em 2014 e passou a ser dominante, segundo o último relatório do gabinete de estudos da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária (APEMIP).

No documento lê-se que nos primeiros nove meses do ano passado "50,2% das pesquisas efetuadas (nas buscas por imóveis) dirigiram-se para a compra (...), enquanto 48,9% se direcionaram para o mercado de arrendamento".

O presidente da APEMIP, Luís Lima, indicou, por seu lado, que o ano passado se revelou "positivo para o setor imobiliário", face ao "aumento do dinamismo do mercado de compra e venda" no país.

O responsável notou que ao longo do ano se verificou uma "diminuição da representatividade dos imóveis colocados no mercado de arrendamento, em prol da aquisição de produtos imobiliários".

Nas pesquisas efetuadas, a procura de valores, no mercado de arrendamento no âmbito nacional, centrou-se em preços abaixo dos 300 euros (41,5%) e entre 300 e 500 euros (37,9%), enquanto do lado da oferta apenas 19,1% tinham valores abaixo dos 300 euros e 42,6% entre os 300 e os 500 euros.

Nos primeiros nove meses de 2014, a nível de compra e venda a maior percentagem (31,3%) foi dos valores entre os 75.000 e os 125.000 euros, que também teve a maior oferta (23%).

A maior procura foi por apartamentos (58,7%), por T2 e T3, e no concelho de Lisboa (10,3%), enquanto na procura por moradias foi de 4,13% de pesquisas geradas.

O Inquérito Mensal de Conjuntura, incluído no relatório referente ao 3.º trimestre de 2014, mostra que as expetativas eram otimistas entre as empresas de medição imobiliária.

As expetativas gerais das empresas de mediação imobiliária, têm vindo a melhorar, podendo-se observar um sentimento claramente mais otimista, principalmente no mês de agosto, para os quais contribuíram os fluxos turísticos e os mecanismos legais que impulsionaram a procura, sobretudo a de cariz internacional".

Como principais "obstáculos ao desenvolvimento efetivo da atividade da mediação imobiliária", as empresas indicam a restritividade bancária, a instabilidade do mercado de trabalho, a diminuição do poder de compra, a mediação ilegal e o desinvestimento económico.

Luís Lima considerou que o mercado nacional foi "positivamente contagiado" pela dinâmica criada pelos investidores estrangeiros e pelas movimentações observadas nos departamentos comerciais da banca através do "incentivo à concessão de crédito imobiliário direcionado ao segmento residencial".

Assim, os dados mostram um "aumento consecutivo do número de transações imobiliárias, o que reflete a retoma, ainda que tímida" do setor.

O Índice de Preços na habitação (IPHab), que mede a evolução dos preços dos alojamentos familiares adquiridos no mercado residencial em Portugal, através de dados anuais, mostra um "ligeiro crescimento em 2013", depois de 2010 a 2012 ter existido decréscimo

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Estrangeiros compram 50 casas por dia em Portugal.

A cada dia que passa, os estrangeiros adquirem no nosso país 50 imóveis novos ou usados. O aumento das transações foi entre 9% e 15%, mas poderia ter sido maior sem o caso BES e a polémica dos vistos gold, indica o semanário Expresso.

Estrangeiros compram 50 casas por dia em Portugal

No ano passado, foram vendidos em Portugal pouco mais de 79 mil imóveis, quer novos, quer usados. Este ano, o número deverá ultrapassar os 87 mil, segundo estimativas da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).


Feitas as contas, por dia são vendidas 239 casas, das quais 50 vão parar à mão de estrangeiros. O número está aquém das 130 alcançadas em 2010, mas mostra uma evolução positiva em relação a 2013.

“Estima-se um aumento de transacções a variar entre 9% e 15%, mas se não fosse o caso dos vistos gold e do BES chegaríamos facilmente aos 25%”, explicou o presidente da APEMIP.

No que toca à nacionalidade do comprador, o Expresso refere que quem fecha mais negócios são os britânicos, seguidos pelos chineses, franceses e brasileiros.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Queda na avaliação bancária não trava recuperação do sector imobiliário


As empresas do sector dizem que a banca está a ajustar as carteiras de crédito e está disposta a emprestar mais.


O preço a que os bancos avaliam as casas na altura de concederem crédito à habitação caiu no último mês. Dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que a avaliação média bancária dos imóveis se situou em Outubro nos 1.014 euros por metro quadrado, abaixo dos 1.029 euros, verificados em Setembro. Trata-se do segundo mês consecutivo em que este indicador cai, bem como da maior descida mensal tanto em termos percentuais como absolutos registada desde Março do ano passado: 1,5% e 15 euros, respectivamente. É também o preço médio de avaliação mais baixo desde Junho de 2013.

Tendo em conta que 2014 tem sido apontado como o ano do arranque da recuperação do sector imobiliário, os últimos dados da avaliação bancária nos últimos meses saltam à vista pela negativa. Mas segundo explica Miguel Poisson, director-geral da ERA Portugal, "os bancos estão a equilibrar o risco das suas carteiras de clientes, e actualmente todos os elos desta cadeia (banco, mediadoras e clientes) estão a sentir os ajustes que estão a ser efectuados ao nível dos preços praticados no mercado". Miguel Poisson acrescenta que "não podemos, no entanto, interpretar estes dados como sendo um sinal de menor dinâmica do mercado e do sector". A opinião de Beatriz Rubio - CEO da RE/MAX Portugal - vai no mesmo sentido. "Na RE/MAX temos vindo a sentir que os bancos estão novamente a abrir a possibilidade das pessoas contraírem créditos hipotecários para a compra de imóveis. Inclusivamente, na RE/MAX estamos a recomeçar agora a formação sobre crédito bancário com os nossos agentes", explica.

De salientar que a avaliação bancária dos imóveis é um dado importante para quem pretende adquirir casa com recurso ao financiamento bancário. Isto porque é com base neste indicador que os bancos decidem o montante do financiamento a conceder. Ou seja, pelo rácio entre o valor empréstimo e o valor do imóvel, que corresponde ao rácio LTV (loan-to-value ratio). Depois de os bancos terem chegado a financiar até 100% do valor dos imóveis durante o apogeu do crédito à habitação, actualmente, na melhor das hipóteses, financiam com base num LTV máximo de até 80%.

No que respeita aos últimos dados da avaliação bancária, e forma desagregada, apenas duas zonas do País não apresentaram uma descida deste indicador no último mês: as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. No primeiro caso, o preço por metro quadrado baixou dois euros, para 958 euros. No segundo, o corte foi de 12 euros, para 1.150 euros. Já Lisboa e o Algarve protagonizaram as maiores quedas do período. Em Lisboa, o valor médio de avaliação recuou 20 euros na capital, enquanto no Algarve ocorreu a maior descida: 26 euros. As duas regiões mantêm-se, contudo, com o preço médio de avaliação bancária mais elevado do País.