A expectativa não podia ser mais elevada. Os
analistas estão a apostar as fichas todas de que o BCE irá fazer
história hoje ao cortar a taxa de juro de referência para um novo mínimo
histórico. A confirmar-se, será uma boa notícia para as famílias com
crédito à habitação que, nos últimos 10 anos, viram a prestação recuar
em 119€.
Se em abril de 2003 a prestação de um crédito à
habitação ascendia a 505€, hoje esse fardo é de 386€. A 'poupança'
aumenta para os 266€ quando comparada a prestação paga em abril de 2008,
de 652€/mês. Os cálculos, feitos pela DECO, assumiram um empréstimo de
100 mil euros, por um prazo a 30 anos, com um 'spread' de 2% e indexando
à Euribor a 6 meses.
As atenções estão agora centradas na reunião
do Banco Central Europeu (BCE), com a expectativa de que o presidente
Mario Draghi anuncie a primeira mexida da taxa de juro desde julho de
2012, quando a cortou em 25 pontos base para os 0,75%. De acordo com as
previsões dos economistas consultados pela Bloomberg, o banco central
deverá avançar com um novo corte de 25 pontos base para um novo mínimo
histórico, de 0,5%. Os economistas contactados pelo Dinheiro Vivo não
são exceção à regra.
“Acho realmente provável que o BCE corte
taxas, embora seja já muito difícil estimular o que quer que seja quando
se está próximo do zero”, afirmou Rui Bárbara, economista do Banco
Carregosa. Já Filipe Garcia, economista da IMF, também qualifica de
“expectável” um corte dos juros, pelo que “não surpreenderá se
acontecer”. A contrariar esta expectativa está João César das Neves. O
economista não espera “uma mudança significativa na linha de intervenção
do BCE”, até porque “a situação mantém-se e o BCE está a injetar imensa
liquidez”. “Não tem mexido nos juros, mas isso não significa que a
política não seja muito expansionista. Penso o cenário que se vai manter
na quinta-feira”, antevê.
In Dinheiro vivo

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